quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A balada do homem solitário.

Pense numa informação besta e inútil! O incrível Hulk agora é da "puliça"! Realizou?

Apois, Lou Ferrigno, aquele sujeito bombado e feioso, ator dos bem fuleiros, que fez papel do herói esverdeado num seriado televisivo dos anos 70, aquele mesmo (lembrou?), acaba de ser nomeado xerife reserva pelo Condado de Los Angeles.

Notícia do cabrunco não? Eu curti prá dedéu. Não dá para ficar tão indiferente assim, como eu gostaria, afinal de contas minha geração devorou pacotes e mais pacotes dos "gostosos, deliciosos os biscoitos Tupy, creme crack, chocolate e leite, alegria da garotada; biscoitos Tupy, melhores eu nunca vi, eu nunca vi (essa última frase com voz mais grave)" e sugou latas de leite condensado pelo furinho em frente dos televisores, assistindo o novo xerife dar uns gritos histéricos, todo pintado de verde (até o cabelo) e com a íris dos olhos toda branca, para ficar mais sinistro (ainda lascava várias camisas, o tênis peba também e as calças viravam bermudas).

Depois de décadas, quando eu pensava que o sujeito já tinha empacotado pela quantidade de bombas que deve ter aplicado nos bíceps e adjcências, saber que o cara agora é da lei, é no mínimo curioso.

Fico aqui matutando. Los Angeles, cidade por demais hedonista, já ajudou a eleger um marombeiro profissa (palavra da moda) para governador da Califórnia. Agora outro puxa-ferro famoso, vira xerife. Seria uma tendência? Se for, como nós (antigamente designados como cucarachas), que gostamos sempre de adotar os modelos estadunidenses, com algumas adaptações bastante idiossincráticas, nos posicionaríamos em nossas escolhas aqui na velha e mandingueira Bahia? Quais seriam os nomes que povoam nosso imaginário para ser governador e delegado de polícia, vindo do mundo VIP vatapaico?

Quem pinçaríamos do universo artístico-desportivo baiano, que seria um legítimo representante do nosso "Ó paí ó" way of life? Para governador, eu deixaria quem já está lá, curtindo uma falta de grana típica do baiano periférico. Mas não pode se acostumar com vaia. Já tomou uma no "Dois de Julho", e se tomar outra já é para sair distribuindo! Baiano que é baiano agüenta tudo, menos vaia. Agüenta fila, ficar de rango, buzú lotado, praia cheia (até gosta), cerveja morna, acarajé frio sem camarão. Mas vaia não. Só para ilustrar essa nossa aversão, o finado Senador ACM já até deu bicuda na canela de jornalista, em pleno Clube Baiano de Tênis, por conta de uma vaia estrepitosa a ele dirigida na época. E ainda manifestou dúvidas acerca da honestidade conjugal da projenitora do amofinado repórter. Sem contar com umas tabifas que uma incauta levou do robusto ex-senador, porque achou que poderia se aproximar demais do furibundo enquanto vaiava. Foi um nescau da porra! E tudo ao vivo pela TV. Por aí você tira. Então vaia, nem com a desgraça! É demais para o ego do baiano. Muda isso, tá tudo na boa! Sem grana, com várias desculpas na ponta da língua, aquela maresia na hora de encarar as responsas. É um bom representante do nosso jeito. Sem preconceito.

Na polícia, o buraco é mais embaixo. Policial de maresia é meio de lascar. Tem que pelo menos ter uma cara de gente ruim, desses que na igreja, na hora do pai-nosso, fica olhando para os lados para dar borrachada em quem não está rezando. Pode ser que na prática seja cheiro-mole, mas tem que saber olhar feio e respirar como se estivesse prendendo flatos. Só consigo pensar no mito baiano do desporto, o inexpugnável Reginaldo "Holifield" Andrade, mais conhecido como o "minzeravão" da Bahia. Delegado Holifield, até que soa bem. Durante as batidas, a sirene do carro tocaria o refrão da música "ruma ruma Holifield" (não sei qual é o título dessa bosta). As câmeras do Bocão e de seu Varella a postos, algum fudido folgado tomando broca de todo jeito, e aí é só assistir e se sentir mais em casa.

Inté.

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